domingo, 30 de outubro de 2011

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.

Fernando Pessoa

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

sábado, 15 de outubro de 2011

A POESIA ESTÁ MORRENDO?

Mais do que qualquer outra manifestação artística, a poesia precisa mesmo de comemoração porque, para muitos especialistas, ela está morrendo ou, na melhor das hipóteses, está na UTI, desprezada pela mídia e pelo público. Você acha que a poesia está morrendo?

Melhor resposta - Escolhida pelo autor da pergunta
Boa tarde Enio!Eu não acho que ela esteja morrendo, mas quem está na UTI, é a sensibilidade, que foi ferida de morte pela sociedade capitalista, que só tem olhos para o lucro fácil.
A poesia, demanda educação dos gostos mais apurados, e portanto de escola de qualidade. Quem não tem o básico, e vive na escuridão, que esse mundo usurpador dos sentimentos mais puros impõe, torna-se cego, e mudo. A poesia está em toda parte, mas os jardins singelos e as borboletas, não trazem o lucro que os imperialistas do consumo nos roubaram.
Tenha uma boa tarde, e fique em paz!

Pergunta de Enio Giacomini de Salles, resposta de Marina Morena. Fonte Yahoo! Respostas.
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070731120027AAqZhJc