domingo, 16 de julho de 2017

Quando se Faz Toda Diferença


Eu te adoro de uma adoração infinda,
Adoro mais ainda na falta, precisão,
Quando em teu lugar só há intenção.
E qualquer atenção tua me fisga
Feito peixe que não comeu ainda
Nem ao menos um pedaço de pão
Que seria jogado pros pombos.

Nunca definitiva, pronta, acabada.
Sempre recomeçando, feito olho d’água,
Cano escorrendo, a rua alagando,
Onde antes só deveria estar passando carros.

Fabio Murilo, 16.07.2017

domingo, 2 de julho de 2017

Saudoso


Hoje não tenho mais seu riso de guizo.
Seu mar não tá mais pra peixe.
Eu devia segurar minha onda, mas...
Gostar não tem botão de desligar, juízo. 
Gostar apenas é dedicação, veneração.
Não tem outra razão, um explicar.
Fica-se mal acostumado com afagos,
Carinhos, cuidados, agrados, apegado.

Que o asteroide, antes fulgurante,
Se desintegre, queimando, caindo.
Mergulhando com indiscreto assombro,
Saindo da atmosfera ao ventre da terra.
Do antes descomunal rochedo aquecido,
Agora, reduzido artefato, cratera, resíduos.

Fábio Murilo, 02.07.2017

sábado, 3 de junho de 2017

À Mulher Sabia


A quem te busque só pela evidente beleza,
De olhar um mar aonde só a vista alcança.
Não vá adiante e descubra pontes, ilhas,
Gaivotas, rotas, praias, correntezas.
Além de pernas, cabelos, olhos, boca,
E beleza comum do comum das garotas.

Eu sei do sal que tuas águas escondem,
Que empresta o sabor que a distingue,
Redime do lugar comum, faz toda diferença,
Tua essencial, sensual inteligência.

Fábio Murilo, 03.06.2017

domingo, 28 de maio de 2017

Poema em Louvor a Discrição


Teu sorriso é o coringa na manga,
Que economizas por não ser preciso
Que abras a toda hora um sorriso,
Que encanta, desmonta e arrasa.

Tiro de misericórdia a quem se atreva
Que tanta beleza não deva bastar.
Qual Monalisa famosa e inesquecível
Com apenas um ar de enigmático riso.

Fábio Murilo, 27.05.2017

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A Moça


Lembro de você das raízes, das cicatrizes,
Antes de ser uma estrela no firmamento.
Lembro de você surgida não sei de onde,
Como descida de um bonde de outros tempos,
Com esse jeito educado, de fino trato, tato.
Essas maneiras, essas sutilezas, atenções,
Intenções, gentilezas, modos de princesa.

Candura, encanto de criatura, doce e delicada,
Graça nos passos, compassos de valsa.
Meu verbo nunca retornando tão fácil,
As palavras que eu digo encontrando abrigo,
Lírios desabrochando em solo propício.
Advinda de uma fresta de telha, quem diria,
Que de um raio de sol faria um farol,
Quem estava só convidaria pra festa.
  
 Fábio Murilo, 11.05.2017