quinta-feira, 20 de abril de 2017

Nuances e Meandros


A solidão agora não é tão sólida, como antes,
Não têm a casca de rinoceronte das horas.
Não é tão calcária, ardor assoprado.
Afago, mormaço, uma tênue sofreguidão,
Suportável, respingo de chuva, água morna,
Luva destinada, inexoravelmente, a mão.

E tua privação é uma ausência disfarçada,
Deslocada pelo bater das asas de um pássaro.
Quase companhia, diria, de fato e direito,
Um estar próximo sem precisar tá junto.
Estar mais junto que muito acompanhado.
  
Fábio Murilo, 20.04.2017